"Há silêncios que ecoam,
Entre frestas de luz e sombra.
É na ausência do som
Que a alma encontra sua forma."
(poeticanaty)
"Há silêncios que ecoam,
Entre frestas de luz e sombra.
É na ausência do som
Que a alma encontra sua forma."
(poeticanaty)
Fernanda Morse. Bom Retiro.
A noite não adormece
nos olhos das mulheres,
a lua fêmea, semelhante nossa,
em vigília atenta vigia a nossa memória.
Conceição Evaristo
pessoascom suas malas,mochilas e valiseschegam e se vãose encontram, se despedeme se despem dos seus pertencescomo se pudessem chegara algum lugaronde elas mesmasnão estivessemvocê se movecomo se uma legião invisívelte aprovassevocê se vaicomo se de longevocê mesmose chamassevocê me vemcomo se só em mimenfimvocê em vocêchegasse.
Alice Ruiz. Invisível.
"O amor não se manifesta atraves do desejo de fazer amor, mas através do desejo de partilhar o sono."
"A saudade é um buraco na alma que se abriu quando um pedaço nos foi arrancado. No buraco da saudade mora a memória daquilo que amamos, tivemos e perdemos, presença de uma ausência."
Rubem Alves. Amor.
Eu não escrevo pra incendiar casas
mas pra acender faíscas aos olhos de quem me lê
não escrevo pra matar a fome de multidões
mas espero que minhas palavras preencham um vazio que te ajude a se manter de pé
não escrevo pra governar um povo
eu ouço o que ele diz e utilizo minha voz para propagar sua mensagem
não escrevo pra obter a sua aprovação
mas pra registrar minha trajetória e de tantas mulheres negras que já foram silenciadas.
Eu escrevo pra acessar lugares em mim que são invisíveis aos olhos
pra expurgar pensamentos que não me deixam dormir
escrevo, pois, cada palavra é um atestado da minha condição poeta
e sendo poeta, ainda miúda que sou
escrevo porque a palavra é o que me resta
Num mundo conduzido por falsos profetas
nessa briga de egos e dialética
me apego num sopro de esperança
que me permite o papel e a caneta
Escrevo pra sobreviver
e sobrevivendo eu luto
escrevo se adoeço
e escrevendo me curo
E você? Pra quê escreve?
E pra onde você escorre,
quando esse mar palavra transborda?
Mel Duarte - Minha condição
No dia em que fui mais feliz
Eu vi um avião
Se espelhar no seu olhar
Até sumir
De lá pra cá não sei
Caminho ao longo do canal
Faço longas cartas pra ninguém
E o inverno no Leblon é quase glacial
Há algo que jamais se esclareceu:
Onde foi exatamente que larguei
Naquele dia mesmo
O leão que sempre cavalguei
Lá mesmo esqueci que o destino
Sempre me quis só
Num deserto sem saudade, sem remorso só
Sem amarras, barco embriagado ao mar
Não sei o que em mim
Só quer me lembrar
Que um dia o céu reuniu-se à terra um instante por nós dois
Um pouco antes do ocidente se assombrar
Inverno. Adriana Calcanhotto / Antônio Cícero
Uma vez, eu tive uma ilusão
E não soube o que fazer
Não soube o que fazer com ela
Não soube o que fazer
E ela se foi
Porque eu a deixei
Por que eu a deixei?
Não sei, eu só sei que ela se foi
Meu coração desde então
Chora todos os dias no portão
Por ela
Não soube o que fazer
E ela se foi
Porque eu a deixei
Por que eu a deixei?
Não sei, eu só sei que ela se foi
Sei que tudo o que eu queria
Deixei tudo o que eu queria
Porque não me deixei tentar
Vivê-la feliz
É a ilusão de que volte
O que me faça feliz
Faça viver
Por ela, não soube o que fazer
E ela se foi
Porque eu a deixei
Por que eu a deixei?
Não sei, eu só sei que ela se foi
Sei que tudo o que eu queria
Deixei tudo o que eu queria
Porque não me deixei tentar
Vivê-la feliz
Porque eu a deixei
Por que eu a deixei?
Não sei, eu só sei que ela se foi
Marisa Monte - Ilusão
Composição: Julieta Venegas / Marisa Monte / Arnaldo Antunes
"(...) Dirão, em som, as coisas que, calados, no silêncio dos olhos confessamos?"
José Saramago. No silêncio dos olhos. Os poemas possíveis.
(...)
Eis que um segundo nascimento,
não adivinhado, sem anúncio,
resgata o sofrimento do primeiro,
e o tempo se redoura.
Amor, este é o seu nome.
Amor, a descoberta
de sentido no absurdo de existir.
O real veste nova realidade,
a linguagem encontra seu motivo
até mesmo nos lances de silêncio.
A explicação rompe das nuvens, das águas, das mais vagas circunstâncias:
Não sou eu, sou o Outro
que em mim procurava seu destino.
Em outro alguém estou nascendo.
A minha festa,
o meu nascer poreja a cada instante
em cada gesto meu que se reduz
a ser retrato,
espelho,
semelhança
de gesto alheio aberto em rosa.
Nascer de novo. Carlos Drummond de Andrade
- O que é, com efeito, o presente?
No infinito da duração,
um ponto minúsculo e que foge incessantemente;
um instante que mal nasce morre.
Marc Bloch. In. Apologia da História.
(...) O olhar de voyeur
tem condições de phalo
(possui o que vê).
Mas é pelo tato
Que a fonte do amor se abre
Apalpar desabrocha o talo
O tato é mais que o ver
É mais que o ouvir
É mais que o cheirar
É pelo beijo que o amor se edifica
É no calor da boca
Que o alarme da carne grita
E se abre docemente
Como um pêssego de Deus.
Manoel de Barros ❤️
(...)
Que belo estranho dia
Pra se ter alegria
(Eu respondo e pergunto:)
É só um tempo pra gente ficar junto
É só o tempo de eu enlouquecer
Com você
É só um tempo pra gente ficar junto
É só o tempo de eu enlouquecer...
Lula Queiroga. Belo estranho dia de amanhã. 🍀