sábado, 30 de novembro de 2024

do sono ao sonho

"O amor não se manifesta atraves do desejo de fazer amor, mas através do desejo de partilhar o sono."


Milan Kundera. A insustentável leveza do ser.



O Sono - Tarsila do Amaral 

domingo, 17 de novembro de 2024

1933

 


Pablo Picasso

sábado, 16 de novembro de 2024

a presença da ausência

"A saudade é um buraco na alma que se abriu quando um pedaço nos foi arrancado. No buraco da saudade mora a memória daquilo que amamos, tivemos e perdemos, presença de uma ausência."


Rubem Alves. Amor. 


sexta-feira, 15 de novembro de 2024

quarta-feira, 13 de novembro de 2024

pra onde você escorre?

 Eu não escrevo pra incendiar casas

mas pra acender faíscas aos olhos de quem me lê

não escrevo pra matar a fome de multidões

mas espero que minhas palavras preencham um vazio que te ajude a se manter de pé

não escrevo pra governar um povo

eu ouço o que ele diz e utilizo minha voz para propagar sua mensagem

não escrevo pra obter a sua aprovação

mas pra registrar minha trajetória e de tantas mulheres negras que já foram silenciadas.


Eu escrevo pra acessar lugares em mim que são invisíveis aos olhos

pra expurgar pensamentos que não me deixam dormir

escrevo, pois, cada palavra é um atestado da minha condição poeta

e sendo poeta, ainda miúda que sou

escrevo porque a palavra é o que me resta


Num mundo conduzido por falsos profetas

nessa briga de egos e dialética

me apego num sopro de esperança

que me permite o papel e a caneta


Escrevo pra sobreviver

e sobrevivendo eu luto

escrevo se adoeço

e escrevendo me curo


E você? Pra quê escreve?


E pra onde você escorre,

quando esse mar palavra transborda?



Mel Duarte - Minha condição

terça-feira, 12 de novembro de 2024

a mesma falta de sentido



"Posso não ter sentido, mas é a mesma falta de sentido que tem a veia que pulsa."

Clarice Lispector. Água Viva.



 

sábado, 2 de novembro de 2024

cada coisa tem um monstro em si suspenso

No fundo do mar há brancos pavores,
Onde as plantas são animais
E os animais são flores.

Mundo silencioso que não atinge
A agitação das ondas.
Abrem-se rindo conchas redondas,
Baloiça o cavalo-marinho.
Um polvo avança
No desalinho
Dos seus mil braços,
Uma flor dança,
Sem ruído vibram os espaços.

Sobre a areia o tempo poisa
Leve como um lenço.

Mas por mais bela que seja 
Cada coisa
Tem um monstro em si suspenso.


Fundo do mar. Sophia de Mello Breyner Andresen