terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Desvios

- Pois é nos desvios que encontra as melhores surpresas e os ariticuns maduros.



Manoel de Barros


segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Como quereis o equilíbrio?

Nós temos cinco sentidos:
são dois pares e meio de asas.
- Como quereis o equilíbrio?



David Mourão Ferreira

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Questão de tempo

"(...) porque é uma questão de tempo e de rosas. Porque o que é bonito é o que captamos enquanto passa. É a configuração efêmera das coisas no momento em que vemos ao mesmo tempo a beleza e a morte. (...) Estar vivo talvez seja isto: espreitar os instantes que morrem."



Muriel Barbery. In: A elegância do Ouriço

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Aonde se encontrava?

Eu te recordava como a alma apreendida
dessa tristeza que tu me julgas.
Então, aonde se encontrava?
Entre estas gentes?
Falando que palavras?
Por que me chega todo este amor de um golpe
quando me sinto triste, e te sinto longe?


Pablo Neruda. In: Vinte poemas de amor e uma canção desesperada


quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Procuro Sol

"Procuro Sol, porque sou bicho de corpo.
Sombra terei depois, a mais fria."



Adélia Prado - Sensorial


terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Risco iminente

"(...) Quanto a mim, o que me mantém vivo é o risco iminente da paixão e seus coadjuvantes, amor, ódio, gozo, misericórdia..."

Rubem Fonseca. In: O Cobrador


segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Lembranças

"Não há dia claro, nem céu azul, nem esperança de futuro, que resista ao assalto das lembranças."


Rachel de Queiroz


domingo, 8 de janeiro de 2012

Você e eu

Na despedida
A estrada é linda
Pra sempre um caminhar

E sopra o vento
Do encatamento
Certeza de voltar

É bom
Que seja logo
Aos céus eu rogo
Que eu volte para ver

Tanta beleza
Luz da nobreza
Pra sempre eu quero ter

Você e eu.


sábado, 7 de janeiro de 2012

De uma forma diferente


Quero te avisar que não fui embora. Vou ficar por aqui um tempo, só olhando. Eu não estou parada. Estou mandando amor de uma forma diferente.



Vanessa Leonardi


quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Anseios

Meu doido coração aonde vais,
No teu imenso anseio de liberdade?
Toma cautela com a realidade;
Meu pobre coração olha que cais!


Deixa-te estar quietinho! Não amais
A doce quietação da soledade?
Tuas lindas quimeras irreais,
Não valem o prazer duma saudade!


Tu chamas ao meu seio, negra prisão!
Ai, vê lá bem, ó doido coração,
Não te deslumbres o brilho do luar!...


Não 'stendas tuas asas para o longe...
Deixa-te estar quietinho, triste monge,
Na paz da tua cela, a soluçar...


Florbela Espanca


quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Nostálgica

"Sempre fui nostálgica, sobretudo do que não chegou a acontecer."


Inês Pedrosa. In: Fazes-me Falta

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Eu queria trazer-te uns versos muito lindos


Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
colhidos no mais íntimo de mim...
Suas palavras
seriam as mais simples do mundo,
porém não sei que luz as iluminaria
que terias de fechar teus olhos para as ouvir...
Sim! Uma luz que viria de dentro delas,
como essa que acende inesperadas cores
nas lanternas chinesas de papel!
Trago-te palavras, apenas... e que estão escritas
do lado de fora do papel... Não sei, eu nunca soube o que dizer-te
e este poema vai morrendo, ardente e puro, ao vento
da Poesia...
como
uma pobre lanterna que incendiou!




Mario Quintana. In: Quintana de bolso


segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Coisa Nova

E na expectativa de ver nascer flor, colho uma tristeza adormecida. Mas não machuca, nem dói. Só espreguiça aqui dentro. É até bonito essa quietude da cor de um entardecer no final de uma estrada. Uma dor quentinha que abraça, até protege e faz lembrar que existe isso de bonito nas tristezas, uma luz que cega alegria velha, mas acende qualquer coisa nova, que se prepara pra nascer.




Vanessa Leonardi

domingo, 1 de janeiro de 2012

Defesa da Alegria

Defender a alegria como uma trincheira
defendê-la do escândalo e da rotina
da miséria e dos miseráveis
das ausências transitórias
e das definitivas

defender a alegria por princípio
defendê-la do pasmo e dos pesadelos
assim dos neutrais e dos neutrões
das infâmias doces
e dos graves diagnósticos

defender a alegria como bandeira
defendê-la do raio e da melancolia
dos ingênuos e também dos canalhas
da retórica e das paragens cardíacas
das endemias e das academias

defender a alegria como um destino
defendê-la do fogo e dos bombeiros
dos suicidas e homicidas
do descanso e do cansaço
e da obrigação de estar alegre

defender a alegria como uma certeza
defendê-la do óxido e da ronha
da famigerada patina do tempo
do relento e do oportunismo
ou dos proxenetas do riso

defender a alegria como um direito
defendê-la de Deus e do Inverno
das maiúsculas e da morte
dos apelidos e dos lamentos
do azar
e também da alegria




Mario Benedetti. In: Lugares mal situados