segunda-feira, 24 de maio de 2010

Palavras

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"As palavras me escondem sem cuidado. (...)
Aonde eu não estou as palavras me acham."

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Manoel de Barros. In: Livro sobre Nada
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Natural

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(...)
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Olho e comovo-me,
Comovo-me como a água corre quando o chão é inclinado,
E a minha poesia é natural como o levantar-se do vento...
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Alberto Caeiro. In: O guardador de rebanhos - XIV
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quinta-feira, 13 de maio de 2010

Constatação:

A arte me consola de toda mágoa.

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terça-feira, 11 de maio de 2010

5

Sou um sujeito cheio de recantos.
Os desvãos me constam.
Tem hora leio avencas.
Tem hora, Proust.
Ouço aves e beethovens.
Gosto de Bola-Sete e Charles Chaplin.
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O dia vai morrer aberto em mim.
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Manoel de Barros. In: Livro sobre Nada
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quinta-feira, 6 de maio de 2010

Se você soubesse...

Se você soubesse como gosto de suas cheganças, você chegaria correndo todo dia.
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Chico Buarque. In: Leite Derramado
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quarta-feira, 5 de maio de 2010

Incontentado

Paixão sem grita, amor sem agonia,
Que não oprime nem magoa o peito,
Que nada mais do que possui queria,
E com tão pouco vive satisfeito...

Amor, que os exageros repudia,
Misturado de estima e de respeito,
E, tirando das mágoas alegria,
Fica farto, ficando sem proveito...

Viva sempre a paixão que me consome,
Sem uma queixa, sem um só lamento!
Arda sempre este amor que desanimas!

Eu, eu tenha sempre, ao murmurar teu nome,
O coração, malgrado o sofrimento,
Como um rosal desabrochado em rimas.
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Olavo Bilac. In: Alma Inquieta
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terça-feira, 4 de maio de 2010

Tema de vida

Meu tema é o instante? Meu tema de vida. Procuro estar a par dele, divido-me milhares de vezes em tantas vezes quanto os instantes que decorrem, fragmentária que sou e precários os momentos - só me comprometo com vida que nasça com o tempo e com ele cresça: só no tempo há espaço para mim.
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Clarice Lispector. In: Água Viva
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segunda-feira, 3 de maio de 2010

Libação


A vida não tem ensaio

mas tem novas chances.

Viva a burilação eterna, a possibilidade;

o esmeril dos dissabores!

Abaixo o arrependimento,

a duração inútil dos rancores.

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Um brinde ao que está sempre nas nossas mãos:

a vida inédita pela frente

e a virgindade dos dias que virão!

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Elisa Lucinda. In: Euteamo e outras estreias.

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