quarta-feira, 13 de novembro de 2024

pra onde você escorre?

 Eu não escrevo pra incendiar casas

mas pra acender faíscas aos olhos de quem me lê

não escrevo pra matar a fome de multidões

mas espero que minhas palavras preencham um vazio que te ajude a se manter de pé

não escrevo pra governar um povo

eu ouço o que ele diz e utilizo minha voz para propagar sua mensagem

não escrevo pra obter a sua aprovação

mas pra registrar minha trajetória e de tantas mulheres negras que já foram silenciadas.


Eu escrevo pra acessar lugares em mim que são invisíveis aos olhos

pra expurgar pensamentos que não me deixam dormir

escrevo, pois, cada palavra é um atestado da minha condição poeta

e sendo poeta, ainda miúda que sou

escrevo porque a palavra é o que me resta


Num mundo conduzido por falsos profetas

nessa briga de egos e dialética

me apego num sopro de esperança

que me permite o papel e a caneta


Escrevo pra sobreviver

e sobrevivendo eu luto

escrevo se adoeço

e escrevendo me curo


E você? Pra quê escreve?


E pra onde você escorre,

quando esse mar palavra transborda?



Mel Duarte - Minha condição

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