Se me perguntassem hoje, diria que escrever é a consequência do que me afeta. Mas não me afeto para escrever, nem escrevo para me afetar. Não agendo afetos com o mero intuito de criar um texto, nem escrevo uma história só para exercitar a minha sensibilidade. Um afeto com intenção é pálido, sem vício, sem sal, e uma escrita limitada a um fim não tem cara, voz, saliva, cheiro. De fato, preciso me afetar com tudo à minha volta, não para escrever, mas sim porque o afeto é uma urgência essencial de todos os dias.
Márcio Vassalo
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