quinta-feira, 5 de março de 2026

poema que navega o infinito

 Na noite clara, a manhã que não raiou
Na madrugada, tantas almas escorridas,
A lua é taça, tantas lágrimas bebidas
No choro triste, meu sorriso enfim brindou.

No fundo, o mundo mudo é meu grito
O sangue da poesia engasgada
Fantasma de uma nau atormentada
Poema que navega o infinito.

A procissão se arrasta pela rua
O rio escorre lento em meu leito
Escuto rezas que imploram ao peito
Faço promessas na palavra crua.

O velho Chico invade, banha aldeias,
É água santa, força de rebento
Como um verso de açoitar tormento
Água-palavra corre em minhas veias.

Solto em garrafas meu poema torto
Sem melodia e sem dedicatória
Quem encontrar que guarde na memória
Meu verso-nau que escapou do porto.


Beatriz Tuxá

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